Epóxi, autonivelante ou betão afagado: como escolher?

Epóxi, autonivelante e betão afagado resolvem problemas diferentes. A escolha errada não se manifesta na entrega da obra, manifesta-se ao segundo ano, em delaminação, fissuras nos rodados ou num piso que já não se consegue lavar. Esta página reúne os critérios que usamos para decidir, para que possa chegar à visita técnica já com o problema enquadrado.

A decisão resume-se a quatro perguntas

Antes de comparar sistemas, é o uso que define a resposta. Estas quatro perguntas eliminam sozinhas a maior parte das opções.

  1. Que carga passa no chão, e com que rodas. Empilhador com roda de poliuretano, porta-paletes manual e reboque de carga concentrada desgastam de formas distintas. A carga por eixo importa mais do que o peso total.
  2. O que cai no chão, e quanto tempo lá fica. Água, óleos, ácidos, solventes, açúcares, produtos de limpeza agressivos. Um derrame limpo em minutos é um problema diferente de um derrame que fica no turno seguinte.
  3. Como é feita a lavagem. Lavagem manual, máquina de lavar e aspirar, ou lavagem a alta pressão com temperatura. A lavagem é, muitas vezes, o factor mais agressivo do dia.
  4. Quanto tempo a operação pode parar. Este é o factor que mais vezes decide, e o que mais vezes é deixado para o fim. Um sistema com sete dias de cura não é opção se a paragem disponível é um fim de semana.

Comparação dos três sistemas

As espessuras abaixo são as que constam das páginas de cada sistema. A espessura e o tempo de cura do sistema efectivamente aplicado dependem do produto, da temperatura e da humidade em obra, e são fixados na visita técnica.

Critério Epóxi Autonivelante Betão afagado
O que é Revestimento de resina aplicado sobre a laje, em película fina ou em multicamada com agregado Revestimento de resina ou de base cimentícia que espalha por gravidade e forma superfície contínua Tratamento mecânico da própria laje de betão, sem revestimento adicionado
Espessura corrente 0,3 a 0,5 mm em sistema de rolo; 3 a 6 mm em multicamada 2 a 4 mm em resina; acima disso em sistemas cimentícios de regularização É a espessura da própria laje, não acrescenta camada
Prazo até tráfego pesado Cerca de 7 dias após a aplicação Cerca de 7 dias após a aplicação Cerca de 28 dias, contados da execução da laje
Onde faz sentido Onde há agressão química e é preciso lavar com frequência Onde é preciso planeza e acabamento homogéneo em área grande Onde a prioridade é resistência mecânica e custo por metro quadrado
Limitação principal Exige suporte seco e bem preparado; falha por aderência se a preparação for insuficiente Copia os defeitos de nivelamento do suporte se este não for corrigido antes Depende da qualidade da laje existente; não corrige um betão fraco
Sensibilidade à humidade do suporte Alta Alta nos sistemas de resina, menor nos cimentícios Baixa
Reparação localizada Possível, com marca visível na zona reparada Possível, com marca visível Difícil de tornar invisível

Quando faz sentido epóxi?

O epóxi é a escolha quando o problema é químico e de higiene, não apenas mecânico. Resiste bem a óleos, a muitos ácidos diluídos e a lavagens frequentes, e forma uma superfície contínua sem juntas onde a sujidade se acumula.

Faz sentido considerá-lo em oficinas e zonas de manutenção, em produção alimentar e farmacêutica, em zonas de carga com derrames frequentes, e sempre que for preciso demarcar circulação com cor.

Onde costuma correr mal: em lajes com humidade ascendente não tratada e sem barreira de vapor, e em suportes preparados de forma insuficiente. O epóxi não perdoa preparação a menos, porque tudo depende da aderência ao betão.

Quando faz sentido autonivelante?

O autonivelante resolve planeza e uniformidade. Espalha por gravidade e fecha as irregularidades de pequena amplitude, o que dá um acabamento visualmente homogéneo em áreas grandes, difícil de obter de outra forma.

Faz sentido em armazéns e logística com circulação intensa de porta-paletes, em espaços comerciais e showrooms onde o aspecto conta, e em pavimentos onde há exigência de tolerância de planeza, por exemplo em corredores de racks altos.

Onde costuma correr mal: quando se espera que corrija desníveis grandes. O autonivelante uniformiza, não regulariza uma laje empenada. Se o suporte tem desnível relevante, é preciso corrigi-lo antes, e isso é uma fase de obra própria, com custo e prazo próprios.

Quando faz sentido betão afagado?

O betão afagado é diferente dos outros dois em natureza, não em grau. Não se acrescenta nada ao chão, trabalha-se a laje que já existe, por afagamento mecânico, com ou sem endurecedor de superfície.

Faz sentido em naves industriais e armazéns de grande área, em obra nova em que a laje é executada já com este acabamento previsto, e sempre que o factor decisivo é resistência a tráfego pesado com o custo por metro quadrado controlado.

Onde costuma correr mal: quando se aplica a uma laje que não tem qualidade para isso. O afagamento revela o betão, não o melhora. Se o betão tem segregação, fissuração ou dosagem insuficiente, o acabamento vai mostrá-lo.

Os erros mais frequentes na escolha

  • Decidir pelo preço por metro quadrado do revestimento. A preparação do suporte pode representar uma parte significativa do custo total, e é a parte que determina se o pavimento dura.
  • Ignorar a humidade do suporte. É a causa mais comum de delaminação em sistemas de resina. Mede-se antes, não se assume.
  • Escolher o sistema antes de definir a janela de paragem. O prazo de cura condiciona a escolha tanto como a agressão química.
  • Não tratar as juntas. Um pavimento contínuo sobre juntas mal resolvidas fissura na vertical da junta, e a fissura é depois atribuída ao revestimento.
  • Especificar pelo caso de um vizinho. Duas naves com a mesma área e o mesmo produto podem ter lajes, drenagens e regimes de lavagem completamente diferentes.

O que fixa a decisão?

Nenhuma destas comparações substitui a leitura do sítio. O que determina o sistema, a espessura e o faseamento é o estado real da laje, a humidade medida, o regime de utilização e a janela de paragem disponível.

É isso que a visita técnica resolve, e é por isso que a fazemos antes de propor qualquer solução. Se quiser ver o que é avaliado no local e o que recebe depois, veja a página da visita técnica.

Para o detalhe de cada sistema: pavimento epóxi industrial, pavimento autonivelante, betão afagado industrial, pintura e marcação de pavimentos e manutenção e reabilitação de pavimentos. Os termos técnicos usados nesta página estão explicados no glossário de pavimentos industriais.